A SÍNDROME DO SUPER HERÓI

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A SÍNDROME DO SUPER HERÓI

Para muitos missionários ir para o campo transcultural é a realização de um sonho. O tempo de preparo é longo, o coração fica cheio de expectativas e vontade de trabalhar. Tudo isso é maravilhoso, mas se não for bem medido pode resultar em frustração e até em um abandono precoce do campo.

Ao longo dos anos tenho observado alguns comportamentos recorrentes em missionários recém chegados ao campo transcultural, e até em alguns que já estão um bom tempo por lá. Vamos chamar esse conjunto de comportamentos de Síndrome do Super Herói ou Super Heroína. O indivíduo que possui essa síndrome costuma pensar que tem soluções novas para antigos problemas, que consegue ver o povo como nenhum missionário viu antes, que ama o povo como ninguém nunca amou , que irá salvar o povo e que através do seu trabalho e esforço toda a comunidade, se não todo o país será transformado. Uma mistura de Super Homem, com Indiana Jones e Madre Tereza de Calcutá. Se o missionário em questão trabalha em um lugar de pobreza e grande necessidade, tende num primeiro momento querer ajudar a todos e fazer tudo o que pode e até o que não pode.

Em muitos casos em curto ou longo prazo esse comportamento gera um burnout e às vezes até depressão e transtornos de ansiedade. Burnout é um estado de esgotamento físico e psíquico relacionado ao trabalho e geralmente acontece com pessoas da área do cuidado. Temos que ficar muito atentos, sermos sábios, para evitar esses extremos.


Se a pessoa gasta toda a energia que tem e não guarda nada para si em algum momento o corpo vai reclamar, a alma vai gritar e aquele que queria fazer tudo não vai mais conseguir fazer nada. Será possível evitar esse trágico fim?


Nosso modelo de missionário, o Super Herói dos Super Heróis deixou algumas dicas em seus três anos de ministério aqui na Terra. Jesus priorizava sua intimidade com o Pai e tirava tempo para passar com Ele, mesmo que para isso tivesse que deixar seu trabalho para depois. Ele delegava atividades, não tentava fazer tudo sozinho e tirava tempo para descansar. Ele era um líder servo e embora soubesse de todas as coisas e tivesse todas as respostas ele escolheu lavar os pés de sua equipe. Jesus pediu ajuda quando sua alma estava angustiada. Ele não se importou em parecer frágil e abriu seu coração para os seus discípulos. Priorize sua intimidade com o Pai, delegue mesmo que seja para Pedro, seja humilde, descanse, peça ajuda.

Apesar de ainda haver certo preconceito em relação à saúde mental, caso você comece a perceber alterações sérias no seu sono, apetite ou humor, procure a ajuda de um profissional. Alguns psicólogos fazem atendimento online, existem psiquiatras cristãos com boas referências. Procure ajuda. Se você pifa prejudica muito mais o trabalho do que você se cuidar e aprender a dosá-lo.

O trabalho de salvar é de Jesus e a missão de convencer do pecado, da justiça e do juízo é do Espírito Santo. Não tente fazer o trabalho deles. Faça apenas aquilo para o qual você foi chamado. Se você já se encontra numa situação de burnout nesse momento, saiba que você não está sozinho, muitos missionários passam pelo mesmo. Que o Senhor levante ao seu redor pessoas que possam te ajudar dentro desse processo e que tudo resulte em glória para Ele. Amém.

Por Povos e Línguas